
Ontem fui pega de surpresa por minha irmã.
Comentei há alguns posts atrás que ela andava sem falar comigo,que havia ficado revoltada com o fato de minha filha ter escolhido morar comigo e deixado toda a vidinha com ela pra trás...
O que aconteceu me mostrou que o sangue sempre fala mais alto!
Ela me ligou ás 08h e eu ainda estava dormindo.
Ficou de ligar outra vez pra mim mais tarde pois queria me perguntar uma coisa.
Tornou a ligar ás 10h,mas eu ainda estava no maior sono,quando foi umas 10:45h ela ligou e acordei pra saber o que era.
Me pediu pra vir a minha casa que queria muito conversar comigo.
Ela chegou pra almoçar e vi que estava meio estranha...
Depois que fizemos o churrasco e todos subiram pro meu apartamento ficamos as duas nos fundos do prédio pra conversarmos.
Ela anda triste pois só agora,11 anos depois, caiu a ficha que só temos uma a outra.
Agora que ela se deu conta que nosso pai e nossa mãe morreram e ficamos sós.
Minha irmã sempre considerou a nossa madrasta 'mãe' dela.
E até foi fácil depois que ela ficou viúva e sem namorado continuar desse jeito em sua cabeça.
Mas desde que minha filha veio morar comigo e sua responsabilidade acabou(da minha madrasta!),ela teve tempo e espaço para namorar e viver sua vida.
Minha irmã contou que é um choque pra ela ver um outro homem na casa que nosso pai comprou com sua 'mãe'.Que não se conforma de ver outro homem andar nessa mesma casa,que um dia foi deles(meu pai,madrasta e irmã).
E veio me confessar que hoje entende a minha revolta quando foi meu pai quem fez isso quando nossa mãe morreu.
Não esperava ouvir isso dela um dia.
E não fiquei nem um pouco feliz em ver minha irmã chorando.
De nós duas a chorona sempre fui eu.
Ela sempre foi uma fortaleza.A irmã ajuízada.
Hoje ela questiona essas refererencias.
Está decepcionada por ver que tudo que um dia acreditou acabou da noite pro dia.
Eu me sinto impotente diante de seu sofrimento.
Disse que sempre que quiser vir pra minha casa ela será muito bem vinda.
Que tudo de horrível que já ouvi dela um dia foi esquecido e que não guardo raiva.
Ela sempre será minha irmãzinha caçula.
E mostrei que o sangue que nos une jamais será esquecido.
Uma vez,há muitos anos,recebi de minha mãe um recado psicografado onde ela pedia que eu tivesse paciência com minha irmã que ela precisaria muito de mim.Que eu entenderia quando chegasse a hora.
Acredito que essa hora chegou.
Alguns dias depois desse recado meu pai desencarnou e pensei que fosse naquele instante.
Mas ela foi mais forte que eu e suportou tudo com uma serenidade que eu jamais tive.
Eu não aceito o desencarne.
Não o dos meus pais!
Sei que é algo que acontece com todos mas não consigo aceitar que eles nos foram tirados em tão pouco tempo.
Meus filhos não tiveram oportunidade de conhecer os avós.Isso me chateia demais.
Vou casar e nenhum deles estará lá fisicamente pra me ver,me levar ao altar...
Minha irmã também não teve isso.
Preferiu casar só no cartório por conta disso!
Meu filho tinha mais velho 5 anos e minha filha 02 quando meu pai morreu.
O que conheceram do avô?Quase nada!
E meu filho caçula e meu sobrinho nem chegaram a conhecê-lo?Muito pior...
Sei que ontem foi um dia de reencontro.
Um reencontro que aconteceu depois de quase vinte anos separadas.
Foi aos 15 que meu pai me expulsou de casa e começou junto com minha madrasta a meafastar de minha única irmã.
Por diversas vezes tentei resgatar nela os sentimentos que havia entre nós antes da fatídica noite que meu pai escolheu me abandonar a própria sorte ao invés de cumprir seu dever de pai.
Ontem nos reconciliamos.
E confesso estou feliz por isso.
Desejo poder ajudá-la em tudo que ela precisar.
Ontem voltamos a ser a nossa família.
E isso mudou a minha maneira de ver o mundo!
Afrodite